Longa de 1987 é inspirado na história do radialista Adrian Cronauer, que morreu aos 79 anos de idade e foi interpretado por Robin Williams nos cinemas.

Good Morning, Vietnam (1987), filme estrelado por Robin Williams e dirigido por Barry Levinson (Rain Man, 1989) narra a história de Adrian Cronauer, DJ que transferido para uma rádio em Saigon e que é operada pelo governo americano, um pouco antes da Guerra do Vietnã, com o intuito de transmitir os informes diários aos milhares de soldados que estavam participando do conflito na década de 1960.

Mas, então, você deve estar se perguntando: o que de tão interessante no quesito sonoro deve conter nesta obra? Apesar de a trilha sonora ser minimamente ok — sim, apenas ok —, mesmo contendo nomes como James Brown e Louis Armstrong, o que realmente chama atenção no longa é a forma como a comunicação através do rádio pôde transformar vidas de diversas pessoas no decorrer do tempo.

Com as novas tecnologias, transmitir informações (verídicas ou não) ficou muito mais fácil e rápido, e qualquer um pode fazer. Porém, estamos falando dos anos de 1965-66, onde historicamente o rádio era um meio de comunicação de maior tecnologia, já que o jornal impresso ou a televisão não teriam difusão tão instantânea por conta da precariedade do local.

Assim, era preciso saber o que estava fazendo, e Adrian sabia! Na sequência inicial do longa, temos a narração do DJ, o qual nosso protagonista viria a substituir, e percebemos de cara o quão chato e ortodoxo aquela comunicação era. Se não funcionava naquele ano, imagina nos dias de hoje com a rapidez que os millennials anseiam?

Nesse sentido, você percebe de cara a grande diferença, quando em seu primeiro dia, Adrian improvisa o programa inteiro ou, pelo menos, dá a entender que ele faz isso. Esquetes e críticas ao governo da época eram frequentes em seu programa, que a princípio seria apenas pela manhã.

De fato, o novo assusta os mais quadrados, tendo exemplo disso com os superiores de Cronauer, que sempre o criticam, o censuram e tudo mais, pelo simples fato de não se identificarem. O que chama mais atenção, pelo menos para mim, foi como o protagonista se portava quando estava no ar, mesmo sendo brincalhão também quando tentava conquistar a audiência vietnamita, o profissionalismo e as grandes sacadas faziam toda a diferença em todas as manhãs. 

Desse modo, tudo fica percetível quando (spoiler) ele vê pessoas morrerem na sua frente, e é censurado, não podendo de forma alguma dar essa informação. O abalo emocional que ele sofreu, afetou diretamente a caricatura que ele pintava ao repassar os informes.

É complicado encontrar radialistas ou podcasters atualmente que tenham esse viés, como o nosso personagem aqui. Alguns chegam perto e outros passam tão longe que caem no buraco profundo da chatice. E volto a dizer: informar sob pressão da censura e no momento que todos eles passavam no qual uma guerra estava prestes a eclodir é realmente desesperador!

Mesmo sendo um filme coroa, ele envelheceu sem muitas doenças. As características do personagem em alguns momentos, como o seu interesse amoroso, me deixaram um tanto quanto incomodado, mas no quesito radiojornalismo, ele está muito em forma. Verdadeiramente uma aula!

Claro que não posso finalizar esse texto sem antes falar da sequência que mescla imagens chocantes com a lindíssima música interpretada por Louis Armstrong, “What a Wonderful World”. Sensacionalista? Talvez, para a época, não! Mas hoje, com certeza! Mesmo assim a sequência ainda continua linda atualmente, apesar de não ser uma grande novidade cinematográfica para os mais jovens.

Mas Adrian Cronauer não se limita só às telas do cinema, ele realmente existiu, e faleceu em 2018. Em algumas entrevistas que deu na época de lançamento do filme, ele falou que se fizesse tudo que estava no longa, com certeza teria sido levado à Corte Marcial (tribunal militar que determina punições para membros das Forças Armadas).

Após sair das Forças Armadas, Adrian continuou como radialista nos EUA, mas logo depois se formou em Direito e seguiu na área até o seu falecimento. Em alguns vídeos postados no Youtube, existem muitos comentários de veteranos que dizem que amavam escutá-lo todas as manhãs.

O verdadeiro Adrian Cronauer

Portanto, Bom dia, Vietnã ainda sim é muito importante para o público mais comum, tipo minha mãe ou meu pai, ou para nós que gostamos de analisar a fundo uma obra cinematográfica. Ele cumpre muito bem o seu papel de entreter e ensinar mesmo após 30 anos, filmaço!

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