A direção de André Øvredal aposta em fundir investigação médico-criminal com doses de sobrenaturalidade, mas peca no desenvolvimento da trama.

A Autópsia (2017) narra a história de uma mulher desconhecida que sofreu violências antes de morrer. Descoberta por uma equipe policial em uma pequena vila na Virgínia, EUA, ela é levada imediatamente a um necrotério para a autópsia do cadáver, e, assim, identificar os possíveis motivos para tamanha brutalidade. Até que eventos sobrenaturais começam a atormentar os responsáveis pela análise medicinal dividida em quatro etapas.

Esta é a premissa que desenrola o enredo lento do longa. O que prende a atenção do espectador é o segundo ato, quando começamos a entender do que tudo se trata. Por não possuir identidade, a personagem central da trama é chamada de “Jane Doe”, uma espécie de “João Ninguém” utilizado nos EUA. Você só saberá quem ela é — ou melhor, foi — próximo ao final do filme.

Um ponto positivo a mencionar é que A Autópsia nos traz certo desconforto somente quando os médicos legistas iniciam os cortes no corpo da defunta. Se não fossem os sustos gratuitos e aparentemente sem sentido para “entreter” durante a narrativa pacata, os mistérios que rondam a garota misteriosa nos chamaria mais a atenção.

O ator Emile Hirsch em cena de “A Autopsia”, 2017.

O terror não está nem nos eventos que sucedem as pesquisas sobre as causas da morte de Jane, que mostra um corpo sem lesões externas. A atmosfera construída por Øvredal está mesmo na autópsia, onde o cortar de pele, abertura de órgãos e vazamento de sangue causam repugnância e repulsa no espectador. Aliás, desconforto é a palavra que define o longa.

Fora isso, o assistimos com tamanhas expectativas de grandes eventos assombrosos acontecerem, que quando tudo acaba percebemos que o que nos causou horror foi o corpo autopsiado de Jane e sua própria história. A sobrenaturalidade que esconde-se no rosto inocente da morta-viva toca no patético e joga no lixo a lógica do que entende-se como mal-assombrado. Ainda assim, é um filme bom para assistir enquanto não há opção melhor.

Emile Hirsch (O Grande Herói, 2013) e Brian Cox (A Identidade Bourne, 2002) dão um show de interpretação juntamente com Olwen Kelly (Winter Ridge, 2018), a que deu vida ao corpo da morta. A fotografia temática ambienta a produção em uma narrativa mais estética do que sombria, típico de Roman Osin. Já a trilha sonora ainda ganha destaque no papel de auxiliadora e condutora desse enredo sobrenatural.

Confira no trailer abaixo.

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