Desde já, avisamos: esta publicação pode conter alguns spoiler. Você está ciente e deseja continuar?

Em 16 de dezembro de 2016 chegava na Netflix a surpreendente “The OA”, uma série ousada e diferente que pegou todo mundo de surpresa, com ótima fotografia e uma trilha sonora impecável, de arrepiar até o seu “eu invisível”. Para quem viu e verá a série, entenderá essa referência: segura essa, Capitão!

O drama estrelado por Brit Marling e criado por Zal Batmanglij (e pela própria Brit) em parceria com a empresa Plan B, de Brad Pitt, que também assina a série como produtor e prometia ser ‘A Nova Stranger Things’, usa o suspense e a curiosidade como armas para segurar o espectador.

Na história, Brit Marling vive Praire Johnson, uma mulher cega que volta para casa depois de sete anos desaparecida, milagrosamente enxergando. Instigante? Alguns acreditam que é um milagre, outros dizem que se trata de um mistério perigoso. Mas Prairie não quer falar sobre os sete anos em que esteve desaparecida, nem com o FBI e nem com os seus pais.

Enquanto Prairie decide que vai contar a sua história para um grupo, ela descreve os acontecimentos que levaram ao seu desaparecimento, o espectador embarca na história ao lado dos outros cinco escolhidos: o problemático Steve; o pacato Jesse; o esforçado French; o transgênero Buck; e a professora Betty. Os episódios da série alternam a narração da história passada da protagonista com o desenrolar dos eventos no presente.

As dúvidas do grupo são as mesmas do espectador, que questiona a veracidade da história ao mesmo tempo em que aceita, de bom grado, o relato. É como se Batmanglij e Marling brincassem com a suspensão de descrença, tanto dos seus personagens quanto do público. Em um momento, acredita-se em tudo como é narrado para logo em seguida surgir o questionamento: “mas isso faz sentido?”. Experiência de quase morte, anjos, experimentos científicos e fé se misturam indo do normal ao bizarro em uma atmosfera instigante. Mentiras podem se tornar verdades pelo peso do seu significado e do seu impacto na vida das pessoas. Ainda assim, mesmo o mais louco dos relatos, pode ser real.

A forma como a história é retratada deixa o enredo muito mais interessante por se tratar de mistério; muitas lembranças da protagonista são mostrados em flashbacks. A partir de então, você começa a criar empatia com os personagens, torcer ou não por eles, refletir sobre os diversos temas e vibrar a cada cena.

E, se existir é sobreviver às escolhas injustas, como sugere uma personagem em determinado momento da série, pensar em tudo o que essa bela surpresa chamada The OA explora de maneira tão instigante, me parece um convite imperdível demais para ser ignorado.

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