“O medo é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não existe meio-termo.”

O terror é um elemento fértil à mente dos que sentem medo. Ele se alimenta e cresce facilmente no imaginário das pessoas. Quando desenvolvido naturalmente, torna-se imenso e desesperador. Em uma residência abandonada, fria e escura, voluntariamente nosso consciente dará lugar a fantasmas e monstros que espreitam o ambiente, ameaçando a vida de quem ousar habitá-la.

Essas se tornam as principais características trabalhadas na série da Netflix, A Maldição da Residência Hill é baseado na obra literária que leva o mesmo nome da escritora americana Shirley Jackson. Apesar de não ser uma novidade, a história de uma casa amaldiçoada, a produção consegue mostrar equilíbrio em momentos tensos onde são trabalhados elementos psicológicos ligados ao terror e ao sentimento de medo, além do drama real desenvolvido em cada episódio por cada um de seus personagens.

No ano de 1992, Hugh e Olívia Crain se mudam para a mansão Hill ao lado de seus cinco filhos: Steven, Shirley, Theodora (Theo), Luke e Eleanor (Nell). Lá, a família Crain acaba por vivenciar situações sobrenaturais e uma trágica perda que os obrigam a deixar o lugar. Passados alguns anos, se reencontram após ocorrer mais uma tragédia que os afetam psicologicamente, enquanto lidam com dramas pessoais e demônios que os perturbam e os acompanham da infância á fase adulta.

Utilizando de maneira formidável todo tempo a seu favor, o diretor Mike Flanagan consegue trazer um terror incrivelmente construído. Cada membro dos Crain possui sua história individualmente contada na série, dando profundidade, veracidade e peso dramático a todos. A produção mantém o enredo bem amarrado em cada trama, sendo explicado ao longo de todos os episódios de forma ordenada.

A direção de Flanagan, desperta atenção também pela não linearidade na condução da história, usando cortes secos ligando uma fase da família até o momento presente da história, apontando acontecimentos vividos pelos irmãos Crain durante os eventos paranormais na residência Hill, trazendo consequências na fase adulta.

Outro aspecto da direção de Mike Flanagan, é evidente no episódio seis denominado “Duas Tempestades”. O uso de planos sequências durante os 50 minutos de execução são impressionantemente bem realizados. O efeito de câmera acompanha cada personagem em um vai e vem equilibrado de acordo com as emoções e interações exibidas na série.

A direção também utiliza dinâmicas circulares, deixando a câmera em um movimento constante em momentos de discussões, em outras se mantém um pouco mais estática em situações menos tensas, mantendo um equilíbrio entre as cenas sem deixar o episódio exaustivo ao espectador. Os mesmos elementos encontram-se presentes em momentos de flashbacks, quando a trama transcende para a mansão Hill.

Diante desses aspectos, a série consegue se firmar com um terror natural e psicológico em meio as histórias inseridas tanto individualmente quanto em conjunto. Cada personagem possui sua carga dramática bem conduzida e desenvolvida pelas atuações, do elenco infantil ao adulto.

Com um desfecho satisfatório, a produção torna-se autossuficiente com apenas uma temporada, sem ambições por uma possível sequência. Surpreendentemente, A Maldição da Residência Hill é uma das melhores séries de 2018, e uma obra memorável do gênero terror.

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