Teria Jonas aberto novas linhas temporais a cada trinta e três anos? Quem são os tão misteriosos Cláudia e Noah? A série se desenrola melhor assistida do último para o primeiro episódio?

Desde o seu lançamento, a nova produção netflixeana está colecionando diversas teorias sobre os personagens e as histórias que os acompanham, além de levantar críticas sobre a construção da montagem. Enquanto que alguns acham ser uma série cansativa e complexa, outros afirmam que é essa complexidade de roer os nervos que a torna tão boa quanto parece, mesmo que surjam comparações com a apaixonante Stranger Things.

Existem razões razoavelmente boas pelas quais as pessoas equiparam uma série à outra, começando pelo fato de que Dark se passa em Winden, um município pacato que realmente existe na Alemanha, cheio de florestas e cavernas, onde coisas estranhas acontecem misteriosamente da mesma forma como ocorre em Hawkins, um lugar fictício de Stranger Things, onde ambos locais possuem instituições que se tornam o motivo pelo qual tudo acontece. Uma é a usina nuclear, a outra é um laboratório de experimentos científicos. A diferença: Winden é o tipo de cidade pequena que as pessoas nascem querendo sair, mas depois que crescem permanecem ali. É o tipo de cidade do interior onde todos se conhecem, onde os rumores e as fofocas se espalham mais rápido que a velocidade da luz. É o tipo de cidade onde todos escondem alguma coisa.

O protagonista de Dark é Jonas, um rapaz que volta para a cidade após ter sido internado em um hospital psiquiátrico decorrente do suicídio de seu pai. Um grupo de adolescentes dá movimentação jovial à série, e o enredo apresenta fortes laços com a década de 1980, através do figurino, músicas e referências históricas, tal como em Stranger Things. Sem dúvidas, alguns pontos se tornam semelhantes ao serem revelados durante os primeiros episódios, porém a produção sombria da Netflix possui elementos e acontecimentos tão enigmáticos que conseguem distanciar suficientemente as duas criações, colocando Dark em um patamar mais labiríntico. Tudo, então, não passa apenas de alusões – uma vez que os criadores de ambas as séries nasceram nos anos 80. Aliás, devemos dizer que esse tipo de narrativa existe desde antes de nascermos; estamos falando de Stephen King, John Carpenter, Steven Spielberg, Antony Burgess, Stanley Kubrick, David Lynch, Christopher Nolan e outros talentosos que abordam os temas figurados em Dark.

A série inicia a sua jornada no ano de 2019, o último ano em que a usina nuclear sobrevive antes de ser desligada, em 2020. Um homem suicidou-se. Um garoto desapareceu. Logo em seguida, outro. Aves caem do céu, ovelhas morrem. A eletricidade falha. Um verdadeiro cenário de horror! Para os mais jovens, esses eventos são assustadores ao mesmo tempo que confusos. Para os mais velhos, a impressão é de que tudo esteja se repetindo, conforme ocorreu há 33 anos.

Uma indecifrável figura parece segurar a chave para abrir a porta da revelação de tudo o que está acontecendo. A pergunta, como sugere, não é “onde ocorre alguma coisa”, mas “quando elas acontecem”. Sim, envolve viagem no tempo, dimensões diferentes, linhas temporais, ocultismo, alquimia, e outros conceitos que tornam a produção misteriosa mais científica do que Sense8 e Stranger Things juntas – ler sobre ajuda a compreender melhor como as coisas funcionam. O cenário remoto existe sob um ar de desconforto e de tensão exacerbados pelas fortes chuvas e nuvens baixas, e você provavelmente se perguntará se não existe guarda-chuva nessa cidade. A fotografia escura junto à trilha sonora potencializam a sensação de desalento e inquietação, indicando pistas do que irá acontecer.

As personagens femininas são bem pensadas e inteligentes, fugindo um pouco dos estereótipos mantidos pelas produções americanas, traçando perfis que a caracterizam essencialmente enquanto humanas, com suas falhas e acertos. É preciso salientar que o fato de uma mulher tomar as rédeas de uma empresa na década de 1980 era algo desfavorável àquela época. Ser chefe de família, organizar a cidade, influenciar e carregar responsabilidades igualmente entre os personagens masculinos e femininos nos permite ter uma visão mais ampla do futuro. Claro, isso não é uma surpresa quando se trata da Netflix. Afinal, esta é a plataforma de transmissão que nos deu Orange Is The New Black, How I Met Your Mother, Jessica Jones, Orphan Black dentre outras. Na verdade, o único lugar que Dark faz questão de ocupar é o agora! O elenco não é diversificado etnicamente, o que, por um lado, é até perdoável já que tudo ocorre em uma Alemanha Ocidental, datando de períodos entre 1953 e 1986. Porém, tratando-se de 2019, as coisas certamente poderiam ser diferentes. Mas, ok, vamos adiante.

Quando trata-se de realmente sentar e submergir-se no mundo de Dark é importante notar as mudanças que o público terá que se acostumar, como, por exemplo, a produção ser de origem alemã – a primeira da Netflix. Logo, o sotaque e a linguagem não serão entendíveis, se não por meio de legendas ou dublagem, pela maioria dos brasileiros. Também não dá para maratonar tudo de uma vez! É uma série que exige mais do que pensar, mas raciocinar cada minuto do episódio, onde tudo pode ser uma pista que te leva para outras hipóteses além daquelas que você já tinha criado antes. A narrativa é aquela que te dá pistas para que você vá montando o quebra-cabeça, por isso é lenta mas consegue te prender.

É uma série excelente para assistir nesta época, onde o período de comemorações é o mais hipócrita do ano, assim como Winden – você entenderá o porquê. A nova produção da Netflix, resumidamente, é sobre entrar em um inquietante e atraente mundo confuso que desgraçará a sua cabeça. Na verdade, à medida que a época natalina se aproxima, considere Dark como um necessário antídoto para “te livrar” de tudo isso. É genuinamente científica porque não existem coincidências, apenas fatos, além de ser recheada de momentos viscerais que nos envolvem e nos conectam à fascinante produção caçula.

Já publicamos uma matéria para te desejar boas vindas, e aconselhamos que você passe por aqui e aqui para receber uma ajuda de como compreender melhor o mecanismo da história. Boa sorte! Afinal, “o começo é o fim, e o fim é o começo”.

E você, já possui suas teorias? Conte-nos quais nos comentários! Sua participação é bastante importante!

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