A saga escrita por Sarah J. Maas se consagra como uma das melhores sequências de YA.

Salvar Tamlin foi a grande motivação para manter Feyre viva nos momentos mais difíceis da sua vida. Agora, ela precisa ser salva da batalha que vem travando com o psicológico após seus atos finais no primeiro livro. A pouca felicidade que havia conquistado ao conhecer Tamlin e a misteriosa Prythian evaporou depois dos últimos acontecimentos, e, para aumentar os problemas, ela precisa lidar com o fato de que agora é uma feérica.

Nesse segundo livro, Sarah consegue muito bem trazer à tona a mentalidade dos personagens, algo que faltou na primeira obra da trilogia. Feyre está quebrada, seus pesadelos são constantes e o leitor consegue sentir exatamente a angústia e sofrimento que a protagonista passa graças à escrita da autora. Além de lidar com as consequências do evento Sob A Montanha, ela lidará com o comportamento tirano de Tamlin.

Abordar um relacionamento abusivo é muito difícil, principalmente quando se leva em consideração o público alvo dos livros — meninas entre 15 e 18 anos de idade. Existe uma linha tênue entre debater um tema, levantar as consequências dele, e escrever uma história sobre ele, romantizando e normalizando abusos, como é o caso de After.

Em Corte de Névoa e Fúria, Feyre é sufocada, limitada e reduzida a cônjuge de Tamlin, e não a pessoa que resgatou Prythian e todos os seus habitantes. Suas decisões não mais lhe pertencem, e, sim a ele. Tudo isso sendo justificado como uma maneira de protegê-la. Seguranças estão sempre a rodeando, seus passos são limitados até onde ele permitia.

A cada página passada era relatado o quanto esse sentimento abusivo de Tamlin por ela a machucava, de dentro para fora, e de fora para dentro, trazendo ao leitor os mais diversos sentimentos, desde dor por ela e raiva e decepção por ele.

Sozinha no quarto, percebi que não conseguia me lembrar da última vez em que tinha rido de verdade.

Como em um relacionamento abusivo na vida real, o processo de sair dele não é fácil. Exige ajuda, tempo e força de vontade, deixando marcas tão profundas quanto as feitas por Amarantha. Como uma forma de ajudar Feyre — e não para salvá-la —, Rhysand se torna um dos protagonistas do livro. Charmoso, misterioso e muito poderoso, Rhys já tinha feito sua primeira aparição um tanto quanto contraditória no primeiro livro, agora, em Corte de Nevoa e Fúria, as motivações pelos seus atos são explicadas e o personagem é muito bem desenvolvido pela autora.

É muito interessante passar horas desvendando os mistérios de Rhys e ver o quão bem desenvolvida foi sua relação com Feyre, bem como observar a importância do quanto Maas se dedicou a escrever esse personagem. Em muitas obras, quando a mulher (em sua maioria) passa por algum trauma, existe sempre o mocinho perfeito que a salva, mas não é o que acontece aqui, como frisa-se no início do parágrafo.

Corte de Névoa e Fúria é um livro muito mais rápido de ser lido do que o primeiro, isso devido a muita coisa acontecer, sem atropelamentos, e você sentir que isso de fato é algo progressista para a história. Sarah consegue fazer um trabalho brilhante com o desenvolvimento dos personagens — o que, para mim, em qualquer obra, é a parte mais importante —, em transmitir de modo muito real os seus sentimentos e cativar a todos com os outros protagonistas do segundo livro.

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