A série continua abordando aspectos da nossa realidade social montados numa aventura de ficção-científica.

A nova temporada da série que estreou em Outubro recebeu uma repaginada em seu conceito, priorizando a maioria dos episódios com ênfase em histórias e situações sociais que colocam o ser humano como o vilão principal por trás do pano. A Doctor (interpretada por Jodie Whittaker) foi concebida com características que, em conjunto, relembram o 11th e o 10th, ambas reencarnações populares entre o público em geral dessa nova “geração” de fãs.

Desde então, a série tem se encaminhado para espelhar bons exemplos em forma de ficção-científica para lapidar a “generosidade” no coração das pessoas — é sobre isso que Doctor Who se trata desde o começo. Exemplo disso é um episódio específico da nova temporada em que a Doctor e seus Companions viajam para os Estados Unidos da década de 50, na época de ‘Rosa Sparks’ que tratava sobre a desigualdade e segregação racial fortemente explícita, onde as pessoas eram categorizadas como negras ou brancas em forma de artifícios sociais, nesse sentido, os assentos de um ônibus divididos por cores (importante frisar que esse tópico foi uma das questões do ENEM 2018).

Dito isso, o episódio joga uma luz nessa situação, trazendo à tona a luta de Rosa Sparks num formato que acaba por sensibilizar e conscientizar as pessoa de que aquilo é errado e que devemos passar adiante todo o esforço por trás das lutas sociais do mundo. 

No roteiro da temporada, não há nenhum indício de que a história possui um arco com os ‘vilões’ mais grandiosos e plots que se interligam a partir dos episódios. Nesse caso, qualquer um deles pode ser acompanhado sem a necessidade de ter visto o anterior para poder entender o que está acontecendo.

De certa forma, tem um saldo positivo, pois pode atrair novos fãs. Mas, em contrapartida, acaba desanimando os fãs mais acostumados com aquilo que era trabalhado pelos Showrunners que precederam o trabalho que está sendo feito agora.

Os companions estão um pouco mais apagados, com pouco ou nenhum desenvolvimento de personagem que marcaram os anteriores — talvez pelo fato do novo showrunner estar fazendo a série por “obrigação”, por assim dizer, uma vez que rumores que surgiram na Internet indicando que Chris Chibnall estaria querendo se desvencilhar da equipe para poder voltar a ter como prioridade a sua série, Broadchurch. 

É primordial a necessidade de existência de séries como Doctor Who em tempos que flertam com o passado sombrio, pois refresca a memória de quem está assistindo e faz questão de deixar claro, montado numa história de ficção-científica, do quão devastador o ser humano pode ser para com o outro, seja por raça, gênero ou condição social. Doctor Who nos torna pessoas melhores, e o seu legado tem de ser tocado em frente, servindo de suporte para as próximas gerações que estão por vir, ou quis dizer… regenerações? 

 

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