Escrito por Rainbow Rowell, ‘Eleanor e Park’ nos faz acreditar que o amor pode ser a resposta para acabar com dolorosa solidão desses jovens.

Eleanor chama a atenção de todos, isso Park não pode negar. Mas, para ele, não é da maneira correta: ela usa roupas estranhas e largas, é ruiva e seu cabelo está sempre bagunçado. Para Park, quanto mais discreto, melhor. Ele mora na cidade desde que nasceu e o único motivo para os holofotes vez ou outra se voltarem para ele é devido sua descendência coreana. Ele não queria que Eleanor sentasse ao seu lado no banco do ônibus a caminho da escola, mas ela o faz. E assim se inicia a maior experiencia da vida deles, até então.

“Era como uma obra de arte, e arte não deve ter boa aparência, mas sim fazer a gente sentir alguma coisa.”

Após muita insistência da minha namorada para que eu iniciasse a leitura, acabei cedendo e, por fim, lamentando por não ter me permitido conhecer antes a história desses dois jovens. Rainbow toca em temáticas importantes, como: bullying, preconceito racial, abuso físico e mental, submissão, tudo de uma forma realista. Em contrapartida, oferece ao leitor um amor puro e verdadeiro, do tipo que lhe dá esperanças e te faz acreditar nesse sentimento novamente.

Eleanor vive em um lar abusivo. Mora com a mãe, o padrasto e seus irmãos mais novos. A mãe é submissa ao marido, que, por sua vez, é um homem agressivo e totalmente imoral com Eleanor. A família dela é pobre e a situação piora quando a mãe se casa novamente; Eleanor precisa dividir o quarto com seus irmãos, acabando com o resquício de privacidade que lhe restava.

Além disso, ela é a garota nova na escola. Por não se encaixar no padrão que as outras pessoas acreditam ser o correto, tanto em relação a suas vestes quanto ao seu corpo, acaba se tornando vitima de bullying, principalmente por parte das garotas de sua sala.

“Ele sabe que vou gostar de uma canção antes mesmo de eu tê-la ouvido. Ele ri das minhas piadas antes mesmo que eu chegue ao final. Tem um lugar no peito dele, logo abaixo da garganta, que me faz querer deixá-lo abrir portas para mim. Existe apenas um dele.”

Park não sabe quem ele é. Filho de pai americano e mãe coreana, diariamente sofre preconceito racial em uma cidade majoritariamente de brancos. Apesar de ter uma boa relação com sua família, o rapaz carrega uma culpa por não conseguir atender as expectativas do pai no que diz respeito a masculinidade e de mais outras coisas que o mesmo considera que o filho deveria ser bom ou igual a ele.

Park é viciado em Hqs, principalmente do X-Men e Watchmen, e, após vários dias sentado ao lado de Eleanor no ônibus escolar, sem nunca trocarem uma palavra, percebe que ela estava lendo os quadrinhos com ele. A partir daí, os dois iniciam uma amizade que logo se tornará no primeiro amor.

“Na primeira vez que ele pegou na mão dela, foi tão bom que todas as coisas ruins se afastaram. Essa sensação boa foi muito mais forte que qualquer dor.”

Eleanor e Park é sensível, triste, engraçado e energético. É um sopro de ar fresco para aqueles que estão com ressaca literária. É o tipo de livro marcante. Ao finalizar a leitura, você não conseguirá parar de pensar naquele final e refletir sobre a história desses jovens.

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