Último episódio exibido no domingo (19) encerra uma jornada de oito anos pelo Trono de Ferro.

As histórias de Game of Thrones sempre mostraram ser algo muito além de meras batalhas. Pelo contrário, a série conseguiu mostrar seu potencial ao desenvolver, mesmo que com vários núcleos, jornadas distintas, personagens intrigantes, e disputas políticas entre egos de poder de forma atrativa e coerente. Mas a impressão que a oitava temporada deixou foi de que tudo poderia ter tido um tempo maior para explicar as sequências dos rumos tomados por cada personagem. A escolha de apenas seis episódios comprometeu a narrativa e o roteiro acabou se atropelando no desfecho.

O episódio com direção e roteiro de David Benioff e Daniel Weiss, chamado “Trono de Ferro”, começa com o cenário cinzento deixado por Daenerys em Porto Real. A vista de inúmeras mortes e ruínas deixa Tyrion assolado, principalmente depois de notar que seus irmãos Jaime e Cersei também não conseguiram escapar da ira da rainha Targaryen. A cena é muito bem encenada por Peter Dinklage, servindo para que o Lannister se oponha de vez as atitudes da mãe de dragões.

Em seguida, a cena em que Daenerys discursa para o seu exército possui uma excelente fotografia, principalmente no enquadramento de sua chegada enquanto Drogon levanta vôo no plano de fundo, num jogo de cenas mostrando a rainha em seu ápice de poder. Mas seu discurso mostra um lado desproporcional à sua jornada ao longo da série, e contraditório às suas próprias decisões no decorrer da temporada, ao dizer que pretende continuar com o seu propósito de quebrar a roda e libertar inocentes de tiranos, sendo que ela acabara de se tornar tudo aquilo em que havia prometido lutar.

Logo após a conversa com Tyrion, Snow vai de encontro a Daenerys, momento em que o herdeiro termina matando-a. Um ato desleal, uma mudança rápida de opinião, em uma cena extremamente melodramática. Depois que Drogon percebe a morte de sua mãe, o dragão transforma o Trono de Ferro em restos derretidos pelo fogo, levando o corpo de Daenerys para longe, e não faz mais aparições no episódio.

Após a morte da Targaryen, o destino de quem permanecerá a frente dos sete reinos é definido pelos Lordes de Westeros. E após uma conversa entre eles, ambos chegam a conclusão de que Bran deve assumir o posto. Uma escolha de certa forma controvérsia, pois, ao mesmo tempo em que o personagem aparenta recusar tal autoridade, em um dos seus discursos durante a escolha mostrou uma dualidade ao dizer “Porque você acha que cheguei até aqui!”, quando perguntado por Tyrion se aceitaria a coroa.

“Quando as neves caem e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a alcatéia sobrevive”, como diria Ned Stark. Enquanto Bran se torna rei dos seis reinos, Sansa é nomeada rainha de uma Winterfell independente. Arya se torna uma exploradora das terras ao oeste de Westeros, e por último Jon Snow, que apesar de não ter tido um final tão positivo, sobrevive como um dos exilados da Patrulha da Noite. Um destino injusto talvez, já que a série sempre reforçou de que era o herdeiro legítimo, e no final não houve nenhuma mudança significativa quanto a esse fato.

Game of Thrones é uma série que ficará marcada na história das produções para TV. Mesmo que o final não tenha sido o esperado, ainda sim, não tira a competência da série de trazer histórias tão cativantes e que reunissem tantos fãs para comentar cada episódio aos domingos. A jornada pelo trono possui todos os méritos.

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