A vida e a morte de um dos personagens mais enigmáticos de The Walking Dead, Rick Grimes.

O texto contém spoiler da série.

Rick Grimes, homem cis-hetéro, caucasiano, idade desconhecida, e um líder nato. Talvez seja um tanto quanto presunçoso começar esse texto fazendo tantas afirmações sobre o protagonista da série The Walking Dead. Contudo, é importante salientar que desde que Rick acordou atordoado naquele hospital, no primeiro episódio da primeira temporada, ele se pôs numa posição de liderança. Mesmo sabendo tão pouco da situação que ocorria no universo zumbi que se instalou nos Estados Unidos.

Atualmente, a série se encontra na nona temporada, e Grimes já passou por poucas e boas. Mas quando o personagem é revisitado em suas atitudes anteriores, principalmente nas primeiras aparições, percebe-se que houve uma transformação gigantesca em vestimenta, personalidade e aparência. Rick inicia a sua caminhada quando abandona o hospital no qual estava internado por conta de um tiro que levou numa operação policial no interior de Atlanta. Ao sair do local, ele se depara com alguns zumbis na rua, porém o que chama atenção dele é a zumbi com corpo decepado no momento ao pegar a bicicleta.

Esse é um ponto chave do primeiro episódio. Ao longo do mesmo, aprendendo com Morgan a lidar com os zumbis e também como detê-los, ele se constrói como um personagem que crescerá muito no decorrer da série. Quando Rick prefere manter a aparência de policial mesmo após o caos total, fica clara a motivação do personagem em estabelecer algum tipo de ordem em toda aquela confusão num mundo sem leis. Manter essa aparência, para ele, é de suma importância, pois em sua cabeça ser policial ainda é um símbolo de confiança e liderança nata, com o grupo que viria a se encontrar em episódios posteriores.

Ao se reconectar com sua antiga vida, ou seja, a sua esposa Lori e seu filho Carl, além do seu melhor amigo e companheiro de trabalho Shane, Rick toma atitudes típicas de um líder despretensiosamente a partir do momento em que decide voltar à Atlanta para resgatar Merlin, irmão de Daryl, e usa como pretexto que “nunca deixaria um homem para trás”. A iniciativa e a persuasão do personagem ligada à necessidade e preocupação com o que restou da humanidade o condiciona a esse posto de liderança antes dada a Shane.

Se não me falha a memória, na segunda temporada existe uma cena icônica envolvendo esse personagem tão misterioso e por vezes tão completo. É justamente quando ele abandona de vez a sua farda de policial, percebendo que aquela aparência não faz o menor sentido. É também quando ele passa o seu legado, simbolizado pelo chapéu de sheriff para seu filho, porém sem a insígnia. Rick, entretanto, como é falado por ele mesmo no pilot da série, é o tipo de homem fechado, não conta o que sente e, muito menos, o que pensa. É por isso que, após a morte da sua esposa no momento de nascimento de sua filha, ele colapsa pela primeira vez.

Grimes entra num processo catatônico e a essência de líder é perdida, e todo o grupo se vê perdido. O problema durante esse afastamento é que a equipe ser extremamente dependente dele — o que se dá por o personagem ser um ponto chave de motivação para a sobrevivência diária. Então, quando vemos Rick atualmente, uma figura calejada com o tempo, que já passou por situações entre a vida e a morte, entendemos que caso ele realmente tenha ido, ele fez o que precisava fazer para cuidar do seu grupo por todo esse tempo.

O rapaz perdeu pessoas, viu amigos de longa data irem e novos amigos chegarem. Rick é um guerreiro nato, tanto que no quinto episódio da nona temporada conseguimos reviver o Rick da primeira: fragilizado pela situação, mas sempre com um espírito forte.

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