Um exemplo de como devemos nos segurar antes de criticar projetos que ainda não foram lançados, pois é sempre melhor experimentar e vivenciar na prática.

“Titans”, série exclusiva do novo serviço de streaming da DC, explora uma faceta com roupagem mais sombria e madura do clássico “Jovens Titãs”, da DC Comics, ao passo em que pavimenta um caminho positivo no que tange a qualidade de uma série adaptada de quadrinhos em que o foco se dá numa equipe.

Quando as imagens do set de gravações foram vazadas, as críticas negativas, no geral, surgiram em peso, especificamente com a escalação de uma atriz negra (Anna Diop) para viver o papel da personagem Estelar. Fora isso, os trajes foram duramente criticados, fazendo com que as expectativas dos fãs mais exigentes despencassem. No entanto, conforme os episódios foram sendo lançados, muita gente curiosamente passou a mudar de opinião em relação a qualidade da série. De fato, é extremamente a antítese do que aparentava ser inicialmente. 

A série já inicia contando o destino trágico da família do Dick Grayson (Brenton Thwaites) sob a perspectiva da Ravena (Teagan Croft), atormentada por essa visão. Como era de se esperar, Dick mudou como pessoa após se transformar em Robin, tornou-se mais violento e sua forma de lidar com isso era se afastando do manto, trabalhando posteriormente numa delegacia de Polícia.

Há uma cena no Piloto, em particular, que é de deixar o queixo caído, onde numa coreografia bem executada, o Dick, trajado como Robin combate criminosos com muita violência explícita, o que deixa escancarado o motivo dele querer se afastar dessa vida, ainda mais pelos dizeres ‘Fuck Batman’ sendo proferidos na mesma cena. Dick mudou. O desenvolvimento dos personagens principais é gradativo até chegar num ponto de equilíbrio em comum, no qual já podemos considerá-los uma equipe.

Há um destaque especial para a atuação de Anna Diop, que vive a personagem Estelar, quebrando paradigmas por conta de sua cor de pele, mostrando que sabe muito bem o que está fazendo, moldando a Titã de uma forma que faz com que ela seja admirada pelos outros integrantes da ‘Equipe’ e pelos espectadores em geral. 

Em termos de história, a narrativa segue uma trama que envolve a Ravena, ainda tentando se descobrir como uma heroína, enfrentando seus próprios demônios ao mesmo tempo em que lida com a adolescência. Dick e Estelar estão ali como uma espécie de âncora para ela, o que reforça cada vez mais o laço entre eles. Já o Mutano (Ryan Potter) é introduzido aos poucos, com cenas que duram menos de 2 minutos ao longo de praticamente todos os episódios lançados, até chegar num ponto em que ele se “esbarra” diante dos outros três heróis, onde o seu desenvolvimento é estabelecido. Há uma interligação nítida entre ele e a Ravena.

Por fim, as tão esperadas cenas de ação — um dos pontos mais fortes da série— são planejadas e arquitetadas de maneira excelente. Dá para realmente perceber que foi um trabalho bem feito. Esse foco só reafirma a característica de um passo ousado e arriscado num caminho mais maduro e “sombrio”, em uma obra que conquistou o público por ser leve e divertida com as animações que a precederam.  

     

 

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