O caminho pavimentado por anos para o momento que todos esperávamos chegou ao fim cheio de surpresas, nostalgia e emoção.

Tudo começou em 2008 quando o Universo Cinematográfico Marvel (UCM) se iniciava dando vida ao eterno Tony Stark de Robert Downey Jr. em Homem de Ferro — um salto de fé que deu certo. Uma sólida arrecadação de bilheteria, personagem e história que cativaram. No mesmo ano, O Incrível Hulk, com Edward Norton, ainda como Bruce Banner, não triunfou tanto e foi praticamente apagado do Universo, mas veio para mostrar que o mundo dos heróis nas telonas começava e vinha para ficar de verdade.

A partir daí, o resto é história — e que história. Desde então entraram em cena Thor e Capitão América; Os Vingadores eram formados, os Guardiões da Galáxia davam as caras, heróis importantíssimos e queridos como Homem-Formiga e Feiticeira Escarlate ganhavam vida, além de Doutor Estranho, Pantera Negra e a icônica Capitã Marvel se juntarem ao rol. Mas essa história você conhece. E ela está longe de acabar ou de ser expandida.

Contando até agora com três fases e sete filmes que ultrapassaram a casa do bilhão em bilheteria, a Marvel se solidificou em aproximadamente uma década como a mais poderosa franquia atual. É por isso que a atmosfera de excitação, nervosismo e inquietação com Vingadores: Ultimato (2019) não vem de modo leviano.

Tudo é resultado de anos de cuidado com a criação de um vilão dos mais bem construídos e bem explorados, uma contextualização que beira o impecável e um enredo que culmina aqui. Agora. Em 2019. O fim da parte da Marvel que crescemos conhecendo e à introdução de uma nova e desconhecida aventura que ainda está por vir.

Ultimato, assim como Guerra Infinita (2018), giram em torno das Joias do Infinito e do antagonista Thanos. Ambas figuras tão conhecidas ultimamente estavam sendo desenvolvidas meio às escondidas durante todos os filmes dos nossos heróis, quer tenhamos visto, quer não. A primeira aparição do supervilão foi no primeiro Vingadores, em 2012.

Sem dizer uma palavra, apenas olhou para a câmera e deu um sorriso que durou menos de 5 segundos e o caos já foi instalado. Teorias de quem acompanha os quadrinhos e curiosidade dos que apenas viam os filmes encheram a internet. Apesar de aparecer novamente também em cenas pós-créditos, em Era de Ultron e Guardiões da Galáxia, todos já estavam preparados para o grande espetáculo que ele traria para o UCM. Quando a divulgação de Guerra Infinita e sua continuidade começaram, descobrimos que chegava a hora de um embate colossal para o qual realmente não estávamos preparados.

O começo

Poster do filme “Os Vingadores”, 2012. Imagem: divulgação.

O objetivo de Thanos sempre foi claro, por mais que continuasse atrás das cortinas por anos e anos: obter as cinco Joias do Infinito e limpar de todos os planetas metade de sua população, sendo assim responsável por instaurar o equilíbrio novamente no cosmos. Descobrimos pouco a pouco o que eram e o que faziam cada uma delas, sendo a maioria pontos importantes do enredo dos filmes da franquia.

É Thor quem primeiro tem a visão das Joias em Vingadores: Era de Ultron (2015), mas elas estavam permeadas por diversos longas sem que percebêssemos. A Joia do Espaço foi essencial no primeiro filme de Steven Rogers, sendo objeto de desejo do Caveira Vermelha — que, surpreendentemente, dá as caras de novo no terceiro longa dos Vingadores.

A Joia da Realidade (também conhecida como Éter, e particularmente a minha favorita), infecta Jane no segundo filme da trilogia de Thor; a Joia do Poder é o ponto central de Guardiões da Galáxia; e a Joia do Tempo é protegida por Stephen Strange em seu filme. Além disso, o Visão e a Joia da Mente existem de modo interligado. A única que se manteve às escuras por mais tempo foi a da Alma, mas o que esbanjou em mistério cobrou em sofrimento nesses dois últimos filmes, não?

É impossível não perceber o cuidado com a construção dessa história titânica. Era o objetivo principal, desde o começo, passando por tantos diretores, roteiristas e personagens, chegar à este ponto de ruptura. Depois de dividir a trama em dois longas, a curiosidade e espera só aumentou. O terceiro da franquia teve problemas de ritmo e história bem como um dos mais avassaladores finais de todos.

A espera de um ano até a chegada de Ultimato foi recheada de lágrimas, teorias e ansiedade. Na última quinta-feira (25), o longa veio ao ar, e era hora de encarar a dura verdade: chegava ao fim uma era.

O fim

Pôster não-oficial de personagens que compõem a trama de “Vingadores: Ultimato”, 2019.

Depois do estalo de dedos de Thanos, poucos dos que conhecíamos e amávamos sobraram. O filme com certeza é um ode àqueles que começaram essa história que fez parte da juventude de tantos. Capitão América, Homem de Ferro, Viúva Negra, Thor, Hulk e Gavião Arqueiro: os Vingadores originais tentando dar continuidade em suas vidas sabendo que tentaram e falharam em deter o inevitável.

Logo aí. já temos uma guinada imprevisível no roteiro, que quase beira ao clichê mas traz cenas divertidas e emotivas consigo. A química que existe entre nossos velhos heróis continua viva e inegável, e, apesar da dor por termos perdido tantos, é impossível não sentir um carinho enorme por vê-los juntos novamente, tentando se ajudar e manter a esperança.

Para auxliá-los nisso, novas caras continuaram. O melhor amigo de Tony, Rhodes; o guaxinim Rocket; a invencível Capitã Marvel; Okoye de Wakanda… Mas, entre esses, quem ganha mais destaque é definitivamente Scott Lang, o icônico Homem-Formiga, e surpreendentemente Nebula. Lang recebe cada vez mais cuidado em seu desenvolvimento e, se tiver sobrevivido (afinal, sem spoilers por aqui), espero que tenha um dos futuros mais brilhantes no Universo Marvel.

Junta, essa equipe acidental tenta manter algum tipo de segurança e paz na Terra enquanto lidam com suas devastações pessoais. Entretanto, agora que eles se foram, para onde nós vamos? A resposta vem, de certo modo, até rápida e apressadamente, com um modo de reverter tudo. E isso nos joga, inesperadamente maravilhados, em uma volta ao mundo Marvel, permeada de reencontros surpreendentes e contendo uma saudosa homenagem a todos que já fizeram parte dele e a todos nós que o acompanharam — e continuarão acompanhando — por anos e anos.

Apesar de conter clichês e, tão logo, possuir furos que são bem difíceis de serem ignorados e tratar o desenvolvimento de alguns personagens de modo deveras displicente, é impossível não se apaixonar com a atmosfera, a chuva de referências e os momentos afetuosos e emocionantes que os irmãos Russo disparam em nós.

Além disso, o destaque do filme definitivamente vai para Steve Rogers e Tony Stark, e não poderia ser diferente. Durante toda a década, foram dois dos personagens mais essenciais, emblemáticos e bem construídos do MCU. Stark e Rogers são o núcleo da equipe de super-heróis e ganharam um dos melhores desenvolvimentos da franquia.

Em Capitão América: Guerra Civil (2016), o que se coloca em jogo é a relação dos dois entre si e com a iniciativa que comandavam, com o desfecho que não é dos mais amigáveis. Nos dois últimos filmes, porém, eles são obrigados a deixar isso de lado para lutarem juntos por um bem maior. Ainda assim, aquela pequena faísca de confronto continua viva entre eles, mas isso nem de longe é algo ruim, e sim transforma a relação dos dois nesse último longa em uma das mais ricas, nobres e bonitas já vistas.

Esse é um dos maiores presentes que os irmãos Russo, Robert Downey Jr. e Chris Evans deixam para nós aqui. Tudo que Steve foi e é: sua honestidade, bondade, empatia e coragem, e tudo que Tony representa: sua luta, bravura, garra e humanidade são edificados em suas figuras e eternizados como imagens que marcaram a vida de tantos — além de ambos serem responsáveis pelas duas cenas mais icônicas e marcantes desse filme e, devo ousar dizer, dessa década.

E o outro? Bem, esse fica com o cuidado em dar um fim justo e honroso à fase 3 da Marvel e à história que iniciou a lenda, além de abrir um caminho estável e inesperado para tudo que virá daqui para frente. É realmente o fim de uma era. Por isso, vale a pena deixar aqui, à Marvel, aos Russo, à todos os diretores e atores responsáveis por tudo que já aconteceu aqui, nossos mais sinceros agradecimentos. Quem cresceu lendo e vendo todo esse mundo se desenrolar frente aos seus olhos deixa a sala de cinema entre lágrimas e gratidão. E dentre os objetivos que Ultimato tinha, esse era de longe o mais importante deles. Portanto, obrigado!

Heróis que compõem a trilogia vingadora. Arte de Stephen Byrne.

“JUNTOS”!

Bem… enquanto nossos corações saram e nossas lágrimas secam, vale a pena checar o que a franquia guarda para seus projetos futuros. Entre as novas caras que surgirão na fase 4 da Marvel, temos Os Eternos, que possivelmente estreará em 2020 e contém a musa Angelina Jolie (Malévola, 2014) no elenco. Além do mais, o primeiro herói chinês ganhará vida com Shang-Chi, ainda sem previsão de elenco ou lançamento.

Dos que já conhecemos, já, já chegam às telonas Homem Aranha: Longe de Casa (2019), e, em 2021, as continuações de Doutor Estranho e Pantera Negra, e a terceira tomada de Guardiões da Galáxia; além das séries produzidas pela Disney e têm animado muitos espectadores que explorarão Wanda e Visão, o Soldado Invernal e Falcão, Loki e Gavião Arqueiro.

Há muito o que esperar. E, até lá, ficaremos com o silêncio e a reverência do que acaba de se desenrolar frente aos nossos olhos. Enquanto isso, confira abaixo o trailer de Vingadores: Ultimato.

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